Páginas

14 de março de 2012

Cara, cê virou na rua errada...


 

por Bruno Arcari


Na boa, no mínimo isso que deve ter acontecido. Na relação dos cristãos com a música, alguma coisa muito grave aconteceu entre Johann Sebastian Bach e Irmão Lázaro. E a condição é muito além de gosto pessoal...

Primeiro de tudo: música é harmonia, melodia e ritmo. Unção não faz parte. Não nessa parte. A unção, vem de uma vida diária junto com o Eterno, e não, ela nao é prensada no CD. Então, só a letra pode ser cristã, não existem notas musicais mais santas que outras.

Tendo visto isso, observamos que os músicos que vivem do mercado gospel (sim, o estilo gospel remonta aos primórdios do blues, sendo o blues derivado do gospel, nas plantações de algodão no Delta do Mississípi, e o estilo em nada tem a ver com os artistas gospel atuais), que como profissionais esses caras tem deixado a desejar. E como tem...

Para facilitar a expressão desta ideia, vou dividir em tópicos:

1º - Criatividade: Item raro, poucos a tem e menos ainda a utilizam hoje em dia. O mercado acaba por padronizar e mecanizar os processos, inclusive na música, e isso mata a capacidade criativa dos artistas. Se hoje em dia tivéssemos um novo Mozart, um novo Paganini, ou mesmo um novo Hendrix ou Beatles, nunca saberíamos, pois se ele quisesse viver de música, teria que ser uma aberração tipo Michel Teló. Pra quem trabalha nesse meio sabe como é desgastante você se esforçar para ser o melhor e para fazer/criar o melhor, e de repente tocando em cada esquina "delícia, delícia..."

2º - Falta de conhecimento musical: Isso não só no meio cristão, é uma crise mesmo. É funk e rock mexelenco pra todo lado. No meio cristão são as harmonias previsíveis e pobres, melodias clichês e fraquíssimas, estruturas de músicas repetitivas e ritmo tão interessante quanto saborear 2kg de picolé de chuchu. Fazer musica ruim por não ter voz ativa no grupo e cumprir com uma norma da gravadora, é uma coisa, agora, não saber o que está fazendo é outra bem diferente. Mas o pior é que não é raro ver os dois juntos

3º - Falta de conhecimento Bíblico: Outro gerador de atrocidades, as vezes a pessoa nem está sendo herege, só está tentando fechar a rima, mas como não conhecia a bíblia, coloca qualquer coisa, mesmo que fuja do contexto. "O interessante é fechar o CD do jeito que a gravadora pediu mesmo, não ensinar nada a ninguem."

4º - Falta de conhecimento da lingua portuguesa: Nem precisa falar nada sobre... e se você se enquadra nisso, vá ouvir tiririca, falcão...

5º - Timbre: A maior vítima mundial da pasteurização e enlatados musicais. Independente do equipamento (normalmente também é bem ruim), o resultado final é sempre o mesmo. Antigamente o timbre tinha a identidade do músico, era muito particular e característico, e cada um ralava pra que fosse assim. Hoje perecemos de além da baixa qualidade dos equipamentos digitais, uma sede por timbres sem vida, chapados, sem cor, sem dinâmica. E no final todo mundo toca a mesma coisa, do mesmo jeito de qualquer forma.

6º - Bom Senso: Esse então, nem se fala. Se temos a Mente de Cristo, deveríamos usar mais o bom senso Dele. Se fosse algo mais usado o tal do bom senso, teriamos sido privados de muitas atrocidades, e teriamos um padrão de QUALIDADE quando ligassemos o radio, seríamos muito edificados pelas mensagens atraves das muicas. Infelizmente a situação é bem outra, são mantras, repetições exaustivas, temas saturados.

Enfim, uma arte que era para servir de louvores e transformou num nicho patético de mercado. Tem quem faça a coisa direito ainda, mas como eu disse de início, ALGO MUITO ERRADO OCORREU ENTRE J. S. BACH E IRMÃO LÁZARO. Não estou dizendo que o irmão Lázaro só está nesse meio pra faturar uma fatia do mercado, mas ressaltar o abismo que há entre "Tocatta et Fugue" e "Eu sou de Jesus".

Me disseram esses dias que Deus nao liga para a quantidade de letra de uma música. Mas eu penso em fazer a obra do Senhor com excelência (Jr 48:10). Muitos artistas seculares tem musicas de efeito muito mais benéfico do que musicas gospel. Cito como exemplo a canção "Rusty Cage", do Johnny Cash. Falando nele, Cash tinha uma relação com o gospel verdadeiro. Talvez o que precise surgir, ao invés de michels telós gospel sejam mais um ou dois como Cash, com letras sinceras e profundas, que remetem aos salmistas.

Eu creio que o que vem pela frente possa ser uma revolução, com artistas de qualidade em destaque. Pessoas que usem a sinceridade e vida com o Altíssimo como inspiração pra música com temática cristã, não dizer o que os outros querem ouvir, ou cantar o que não vive. E vamos nos esforçando, buscando melhorar em tudo quanto for possível, porque se o futuro tiver um alto nível, quero fazer parte. Se não for e continuarmos morro abaixo, aí quero ser o mais diferente.

2 comentários:

  1. Caramba que texto excelente! Mas certo que está na hora de não apenas diagnosticar, mas sugerir, também. No seu texto vejo os dois elementos. O segundo mais implícito do que explícito como o primeiro. Legal Bruno, parabéns.

    ResponderExcluir
  2. Ficou ótimo! Já me ganhou ao citar Bach *-*

    ResponderExcluir

Comentem!
Comentem!