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11 de janeiro de 2012

Em defesa dos sites de humor cristão




Cristiano Santana

O surgimento dos "blogs" de humor cristão, como GenizahJosiel Botelho, etc. é um fenômeno relativamente recente no universo virtual. Tais sites são conhecidos pela abordagem irônica ou satírica com que retratam fatos e principalmente personalidades do atual contexto evangélico.

Apesar do estrondoso sucesso, os editores desses "blogs" têm de lidar com uma profusão de manifestações de indignação contra suas publicações, oriundas de mentes conservadoras. Os protestos se dirigem contra a forma aparentemente desrespeitosa e irreverente com que são tratados temas "sagrados" como autoridade eclesiástica, manifestações espirituais, musicalidade cristã, etc.

Mas será que essa furiosa censura contra o humor cristão é justificável? Creio que uma reflexão rápida e isenta nos levará a concluir que o humor cristão tem dado um poderosa contribuição, se não à erradicação, pelo menos à redução das mazelas que afetam o protestantismo brasileiro.

Poder de repercussão

Críticas sérias contra a imoralidade são indubitavelmente úteis, na medida em que alertam sobre uma situação que às vezes passa despercebida aos olhos da maioria. Entretanto, a transformação social e religiosa gerada por esse tipo de comunicação, em determinados contextos, é muito limitada. E aí que entra o humor com o seu poder de causar um impacto mais intenso sobre a estrutura do "status quo".

O humor quase sempre tem uma maior capacidade de chamar a atenção para um determinado problema. Isso se faz através da utilização de cenas e palavras cômicas que causam um choque imediato nos espectadores, graças ao espalhafatoso, ao inusitado, ao hilário. Aristófanes, na antiga Grécia já se utilizava desse recurso para criticar a política e a filosofia de sua época, em peças como "As nuvens" e "As rãs".

Pensemos nas bizarrices que são cometidas nos cultos. A melhor maneira de denunciar essas práticas é fazer seus adeptos perceberem a semelhança entre suas perfomances grotescas e os heróis de video games, grunhidos de animais, movimentos de objetos como o pião, etc. Imaginemos que vergonha eles sentem ao assistirem a si mesmo nos vídeos do Youtube! Não há argumento melhor para chamá-los à sanidade.

Acesso às massas

Determinados temas às vezes são muitos difíceis de serem compreendidos pelo cidadão mediano. A teologia contemporânea, por exemplo, é quase tão difícil de ser entendida como a Física Quântica, pela complexidade do jargão que utiliza. O humor decodifica o complexo e o traduz para um formato mais simples e acessível à massa do povo. Então ocorre o aprendizado pelo humor. 


Poder de descontração

A vida na sociedade moderna é diariamente um desafio à serenidade mental. Acordamos atrasados de manhã, enfrentamos um trânsito terrível, nos estressamos no trabalho e voltamos para casa cansados e quase sempre mal-humorados.

Não há dúvidas: temos de nos descontrair de alguma forma. O humor é uma ótima alternativa para esse fim, mas não o pornográfico que impera na TV e no teatro, pois afinal de contas somos cristãos. Surge então, como alternativa viável para aliviar as tensões, o humor cristão que é capaz de permitir-nos boas risadas sem ofender à moralidade.


Conclusão

Essa imagem esterotipada do cristão sisudo, carrancudo, que não dá risadas, que tem de tratar tudo com muita seriedade, é mais uma invenção da religião. Muitos que se levantam contra o humor cristão na verdade não estão interessados na defesa de valores sagrados. Estão empenhados em proteger comportamentos irracionais e heresias destruidoras que só denigrem a imagem do evangelho. 


Como já dizia Tomás de Aquino:

“Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae.” – 
“O humor é necessário para a vida humana.”.
(Suma Teológica II-II, 168, 3, ad 3)

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