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18 de outubro de 2011

Deus é justo, e não justiceiro

Repense e Reflita






Diretamente do Blog do Ciro

Tenho lido e ouvido algumas opiniões na grande rede que torcem a doutrina da natureza de Deus e faz-nos pensar que Ele é um justiceiro, movido por sede de vingança. Certo pregador norte-americano — não me pergunte o nome dele — afirmou, recentemente: “Deus odeia alguns de vocês” e “A Bíblia não diz que Deus odeia apenas o pecado. Ele odeia os pecadores”.

A mensagem desse pregador, que, aliás, tem a mesma idade deste editor de blog (ambos nascemos em 1970), é bem diferente da pregada pelo célebre evangelista David Wilkerson, de saudosa memória. Ao evangelizar o violento líder de gangue de Nova York, Nicky Cruz, ouviu a seguinte ameaça: “Se você chegar perto de mim, pastor, mato você”. E Wilkerson lhe respondeu: “Você pode me matar. Pode me cortar em mil pedaços e espalhá-los pela rua, que cada pedaço de mim vai amá-lo”.

Deus é amor (1 Jo 4.8). E, por isso, a mensagem do Evangelho é o amor de Deus, pois o ódio é incompatível com a deidade. É evidente, por outro lado, que o Senhor fará perecer no Inferno os ímpios, os pecadores contumazes (Mt 10.28; Sl 11.5-7). Mas a condenação destes decorrerá de sua desobediência ao amoroso, justo e santo Deus (Ap 20.11-15).

Muitos — tomando como base textos bíblicos isolados — estão pensando que o Justo Juiz é um vingador sádico, que tem prazer em derramar a sua ira sobre os ímpios. Ora, o Senhor é justo, e não justiceiro. E ser justo implica proceder conforme a justiça, a equidade e a razão.

A natureza de Deus é justa, proba, reta, íntegra. Ele sempre agirá conforme a verdade da sua Palavra, de acordo com o plano salvífico que estabeleceu desde o princípio. Amoroso, justo e santo, o Senhor encerrou “a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32).

Convido — e desafio —, mais uma vez, os estimados leitores a olharem para a vida de Jesus Cristo (Hb 12.2), o Deus-Homem, e responderem à pergunta: A quem Ele odiou, ao andar na terra? O Senhor teve ódio do traidor Judas, a quem chamou de amigo? Jesus teve ódio de Jerusalém, por ter ela matado os profetas? Não! Ele lamentou ao falar sobre a sua iminente destruição. O Salvador teve ódio dos seus algozes? Não! Ele pediu ao Pai que os perdoasse.

Quem vê o justo e amoroso Deus como justiceiro, pensa que Ele, no Juízo Final, dirá aos ímpios: “Sofram, miseráveis, por toda a eternidade. Agora vocês terão o que merecem”. Entretanto, o Justo Juiz age com amor, justiça e santidade. Ele, que sempre desejou a salvação da humanidade (1 Tm 2.4) e “amou o mundo de tal maneira” (Jo 3.16), apenas dará a sentença para quem não aceitou o seu plano salvífico (Ap 20.12).

Justiceiros agem com ódio. Mas Deus nos amou quando ainda éramos seus inimigos (Rm 5.8). Jesus, que encarnou-se para revelar a glória do Pai, além de chamar o traidor Judas de amigo, ensinou-nos a amar nossos inimigos (Mt 5.44). Aliás, ao falar da condenação eterna, Ele ensinou: “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (Jo 12.48).

Ciro Sanches Zibordi

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